sábado, 3 de dezembro de 2011

O rap vai ao castelo - Por: Marcus Vinicius Batista

 Publicado em 01 de dezembro de 2011

 As duas mulheres cantaram à capela para as 50 pessoas. O refrão “Negra sim, mulata não” paria olhares diversos, da surpresa à admiração. A música Mulata encerrou o ritual de pouco mais de uma hora, que lotou uma sala destinada quase sempre aos debates e exposições acadêmicas.
 A sala, de número 315 na porta, está acostumada com tons de pele coerentes com a clareza de suas paredes e o ar de higienização hospitalar. Naquela noite de segunda-feira, pela primeira vez, a sala estava dominada por negros, muitos sem a obsessão pelo diploma na parede de casa. Mas todos orgulhosos porque uma deles – assim o sistema universitário os vê, como de outro mundo – chegou ao fim do caminho. 

Joyce personificava o regime de exceção. Defendeu seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em História, na Unisantos, um estudo sobre o movimento hip-hop na Baixada Santista, a partir de 1993, data de nascimento na região. O trabalho foi o mais concorrido do curso. De doutores a gente com ensino fundamental. Universitários de cinco cursos, de Letras a Pedagogia. Parentes, amigos e integrantes do movimento social, cada vez menos uma tribo vista como moda. 

Joyce da Silva Fernandes é candidata a uma lista de preconceitos inerentes à sociedade brasileira. Ela tinha várias credenciais para dar errado no país que finge tolerar quem não nasceu europeizado ou não embranqueceu com as benesses do poder econômico ou com a fama das celebridades. 

Joyce é negra, mulher e moradora de bairro de periferia. Veste-se com amor pelas raízes africanas. Já foi chamada de macumbeira na rua e quase foi contratada como cartomante. Joyce também é rapper, outro universo dominado pelos homens. Preta Rara, seu nome artístico, também enfrenta problemas por serem caiçaras. Ela e Negra Jack formam o grupo Tarja Preta, a primeira dupla de mulheres rappers do litoral de São Paulo. Hoje, apresentam-se mais na Capital e no interior, onde são tratadas com reverência pelo conteúdo politizado e feminista de suas composições. Naquela noite de segunda-feira, Joyce não era Preta. Joyce era uma professora de História, que se legitimava pelo rigor acadêmico e pela linguagem científica. A força das letras que, por exemplo, denunciam a falsa abolição e a exploração do corpo da mulher se transformou em argumentos para analisar um dos fenômenos culturais da história recente da região. 

O rap abriu as portas do castelo, normalmente atento às próprias preocupações da corte. Dentro dele, há mentes resistentes que transgridem ao compreender a necessidade de conversar com o mundo lá fora, de maneira horizontal, sem pedantismo ou arrotos de conhecimento de almanaque. 

A sala 315 serviu de testemunha para um instante único, um ponto de partida para a aproximação da elite educacional com aqueles que dinamizam a cultura na base social, lutam contra os vácuos da era do consumo e constroem novos caminhos de conhecimento sobre o mundo que, inclusive, rodeia os muros do castelo. Naquela noite de segunda-feira, a sala 315 representou a chance concreta de uma sociedade em que brancos e negros, homens e mulheres, possam conviver com senso de coletividade e atenção para os problemas que insistem em permanecer sob o manto da invisibilidade social. 

A sala 315 ainda se constitui como exceção. Abrigará, possivelmente, muitos discursos, por vezes inócuos, por vezes relevantes, mas suas paredes anti-sépticas não conseguirão limpar aquela narrativa, encerrada com duas rappers que, em rimas de indignação, desnudaram a condição da mulher negra, maioria fora do castelo, visitante ocasional dentro dele.


 Extraída do Jornal BoqNews


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http://www.boqnews.com/coluna.php?cod=10872

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Apresentação do Tcc da PRETA-RARA (Joyce Fernandes)

No dia 28 de novembro de 2011 houve um marco na história do movimento Hip Hop da Baixada Santista, através do trabalho de conclusão do curso de História na Universidade Católica de Santos, com o seguinte tema: RESISTÊNCIA E RIMA: MEMÓRIAS DO MOVIMENTO HIP HOP NA BAIXADA SANTISTA (1993-2010).
A sala da apresentação ficou  lotada com gente em pé, todos atentos para os detalhes que seriam abordados ao longo de um ano de pesquisa.
O Hip Hop mais uma vez se fez presente dentro da academia, em que uma professora que não citarei o nome dela, disse que esse tema não teria relevante para a universidade.
E felizmente encontrei o professor Rodrigo Christofoletti que estava disposto a levantar a bandeira do Hip Hop comigo, que foi o orientador da minha pesquisa.
O examinador, o Prof. Paulo Campbell que deu alguns toques para melhorar o trabalho impresso, que servirá para dar continuidade nessa pesquisa em um mestrado e doutorado.
Resumindo deu muito certo, realmente eu sempre acreditei no movimento Hip Hop e essa pesquisa foi uma forma de agradecimento por tudo que o Hip Hop fez por mim, e assim deixo essa pequena contribuição para os integrantes e adeptos da cultura Hip Hop, principalmente a galera da Baixada Santista, que se fez presente em peso em minha apresentação!

É o Hip Hop tio! Invadindo as universidades, o senado, as câmaras municipais, o Hip Hop pode estar em qualquer lugar que ele chega e representa!


Tamu juntos...


TCC: RESISTÊNCIA E RIMA: MEMÓRIAS DO MOVIMENTO HIP HOP NA BAIXADA SANTISTA (1993-2010).

TARJA-PRETA

GRUPO FEMININO DE RAP NACIONAL, FORMADO POR JOYCE FERNANDES(PRETA-RARA) E JACKELLINE PEREIRA(NEGRA JACK).
TEVE INICIO EM OUTUBRO DE 2006,COM SUAS LETRAS DE PROTESTO MAIS TENTANDO FAZER UM RITIMO DIFERENTE ESTÃO AI DA BATALHA DE GRAVAR UM CD COMO TODOS OS GRUPOS INICIANTES.
JÁ SE APRESENTARAM EM GRANDES EVENTOS DA REGIÃO,COMO A MISCELÃNIA CULTURAL "NEGRAS ARTES"NA CIDADE DE SANTOS. NA PASSEATA 20 DE NOVEMBRO EM SÃO PAULO,E NO 1ºENCONTRO NACIONAL DE HIP HOP PARA AS MULHERES TROCANDO EXPERIÊNCIA COM OUTRAS MULHERES DO BRASIL, LOS ANGELES E CANADÁ.
SUA MÚSICA DE TRABALHO NO MOMENTO É "FALSA ABOLIÇÃO"



ACESSEM E CONFIRA O NOSSOS SONS


www.myspace.com/tarjapreta2008




































































MATÉRIA EXTRAIDA DO JORNAL LOCAL DE SANTOS-SP

"MULHER INTELIGENTE NÃO USA O CORPO USA A MENTE" JAQUELINE E JOYCE SÃO DUAS BRASILEIRAS COMO MUITAS SÃO NEGRA TÊM 22 ANOS,UMA TRABALHA COMO DIARISTA E A OUTRA COMO COZINHEIRA,CUIDAM DE SUAS FAMÍLIAS E LUTAM PELA DIGNIDADE.SÓ QUE ESSAS CIDADÃS RESOLVERAM IR ALÉM. E ÉCOMO PRETA-RARA(JOYCE) E NEGRAS JACK(JAQUELINE)QUE ELAS MOSTRAM QUE NÃO QUEREM SER APENAS MAIS DOIS NÚMEROS NAS ESTÁTISTICA OFICIAIS.HÁ QUASE 3 ANOS CRIARAM O GRUPO DE RAP TARJA PRETA,QUE LUTA CONTRA O PRECONCEITO. RACIAL,SOCIAL,SEXUAL E ATÉ MESMO MUSICAL.SIM PORQUE NA CENA DO HIP HOP A MULHER AINDA NÃO CONSEGUE MUITO ESPAÇO.TANTO QUE NA BAIXADA ELAS SÃO UMAS DAS ÚNICAS REPRESENTANTE FEMININAS DO GÊNERO. A PREOCUPAÇÃO EM LEVAR ESSA MENSAGEM TEM UM MOTIVO.AS DUAS ACHAM QUE A MÚSICA TEM UMA IMPORTANTE MISSÃO "É UMA VOZ QUE CHEGA AO ALCANCE DE TODOS"(NEGRA JACK). SENDO ASSIM,O QUE DEVE CHEGAR PARA AS PESSOAS É SEMPRE UMA MENSAGEM POSITIVA."SOMOS NEGRAS MILITANTES,TEMOS A OBRIGAÇÃO DE AJUDAR A CONSTRUIR UM MUNDO MELHOR(PRETA-RARA). NA OPINIÃO DELAS É INADMISSÍVEL QUE AS MULHERES ACEITEM RITMOS QUE DENIGREM SUA IMAGEM E SUA CONDIÇÃO. MÚSICAS DE DUPLO SENTIDO COLOCAM A MULHER COMO OBJETO E TEMOS QUE LUTAR CONTRA ISSO.PORQUE MULHER INTELIGENTE NÃO USA O CORPO USA A MENTE. (TRECHO DA MÁTERIA DO JORNAL "EXPRESSO POPULAR" POR:THAÍS LYRA)